Recentemente comprei um brinquedinho nerd, o Raspberry Pi.

Para quem andou em Marte no último ano e não conhece, ele é um micro-PC, um computador do tamanho de um cartão de crédito que vem sendo usado para diversas coisas legais como automação residencial, servidores de rede, estações de trabalho para escolas, etc. Recomendo esse vídeo da Globo News, com uma entrevista com um dos criadores do projeto.

O motivo pelo qual eu comprei o aparelho não foi nada tão nobre quanto ensinar crianças a programar, foi apenas montar um media center para poder assistir videos e ouvir algumas músicas sem precisar ligar o Macbook na TV.

#O hardware

O primeiro passo foi comprar o próprio Raspberry Pi. A parte triste é que um equipamento que custa U$ 35 lá nos EUA não sai por menos de R$ 250. Eu encontrei um no Mercado Livre por R$ 330, com a placa, case transparente e um cartão de memória de 4GB, frete incluso.

Como o Raspberry Pi não tem energia suficiente para energizar um dispositivo USB eu comprei um case para HD com alimentação própria. Existem várias opções no mercado e eu comprei um direto do Deal Extreme que suporta tanto HDs de notebook quanto os de PC. Usei um velho HD de 160GB de notebook que eu tinha.

O kit que eu comprei não veio com cabo de energia, então precisei comprar um cabo micro-USB em uma loja de celulares. É basicamente o mesmo cabo da maioria dos celulares Android, então não deve ser difícil encontrar isso, além de ser barato.

Para controlar o dispositivo você pode usar um teclado e mouse USB (ele possui duas entradas) mas o mais legal é que como eu liguei ele via HDMI na TV e ele suporta o CEC é possível usar o controle remoto padrão da TV para fazer isso. A minha TV é uma Sony Bravia de 32 polegadas e implementa o CEC com a opção Bravia Link. Neste link é possível ver outras TVs que suportam a mesma característica.

E para finalizar, liguei no meu velho home theater Sony para poder ter um som legal. Pena que o Raspberry Pi não tem uma saída de áudio digital, mas isso já seria pedir demais para um dispositivo tão pequeno.

O Software

Existem algumas distribuições Linux compatíveis como o Raspbian e é possível inclusive instalar o Android pois o Raspberry Pi usa uma arquitetura ARM. Eu optei pelo Openelec uma distribuição Linux construída com o objetivo específico de ser um media center, vindo com o ótimo XBMC instalado. No site do Openelec constam as instruções de como instalá-lo, mas basicamente você precisa baixar uma imagem e gravar no cartão SD com alguns comandos no Linux ou Mac (tem documentações de como fazer isso no Windows no site).

Ao ligar o dispositivo ele automaticamente carrega o XBMB e dá as opções de assistir seus videos, ver fotos e ouvir músicas, permitindo escolher o HD externo ou outros serviços de rede como Samba. Se você tiver um dispositivo com iOS ele também emula o protocolo Airplay, então é possível mandar um video sendo tocado no iPhone direto para a tela da TV, ou mesmo jogar alguns jogos.

O XBMC também possui um sistema de plugins muito interessante, com diversas opções para melhorar ainda mais a experiência e adicionar novas funcionalidades. Eu instalei os plugins Youtube, Apple Podcasts (permite navegar, assinar e ouvir podcasts), Apple Trailers (pesquisar e assistir os trailers que a Apple libera dos filmes lançados na iTunes Store) e Rdio, que me permite ouvir as músicas do meu serviço de streaming favorito. Tive alguns problemas com o plugin do Rdio e precisei fazer um pequeno hack no código (escrito em Python) para funcionar, mas algumas atualizações depois isso parece ter sido corrigido (se o aparelho estiver conectado na rede os plugins são atualizados regularmente).

Tenho usado quase que diariamente nas últimas semanas e tenho gostado muito do resultado. Os videos tocam perfeitamente, sem “engasgar” em nenhum momento, mesmo arquivos de mais de 1GB. Poder curtir minhas mídias sem precisar ligar o computador na TV tem sido uma coisa tranquila e divertida, ainda mais com o controle da TV comandando tudo. Como o Raspberry Pi é pequeno eu escondi ele atrás do home theater e dá quase para esquecer que ele existe, além de consumir muito pouca energia. Para ficar perfeito só falta a Netflix lançar o suporte a Linux para eu poder assistir os filmes direto dele, sem precisar ligar o computador ou o PS3.

Se você também está usando o Raspberry Pi como media center ou com outros fins compartilhe nos comentários suas aventuras com esse brinquedinho nerd.